Letra de this is what slow dancing feels like

de Elias Negash
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Yeah
Cês acham que acabou?
Isso aqui é memória viva, sangue quente
Escuta o som dos ancestrais

Apagaram as linhas da nossa história
Queimaram os livros, rasgaram a glória
Mas cê não apaga o grito da memória
O navio negreiro ainda ecoa na vitória

Vieram acorrentados, mas nunca calados
Na senzala, o olhar já falava alto
O tambor pulsava como resistência
Na dança, na fé, na sobrevivência

Trabalharam o chão, colheram o açoite
Foram aço, coragem, pra enfrentar a noite
E mesmo hoje, o sistema repete
Disfarça a corrente, mas ela aperta a mente

Favela resiste, periferia persiste
Mas a elite assiste e finge que é triste
Do chicote ao salário mínimo, é tudo racismo
Pobreza tem cor, cês negam o abismo!

É luta! É grito! É chama no peito!
Somos o povo que não se cala no leito
É sangue, é suor, é raça, é fé
Se o passado foi dor, o presente é de pé!

Quantos morreram no chão do engenho
Quantos sonharam com um novo desenho
Quantos fugiram, quantos tombaram
Quantos Palmares ergueram, lutaram?

Zumbi na frente com espada no punho
A coroa treme quando a favela se une!
Não foi favor, foi guerra vencida
Cada direito tem sangue na trilha!

E hoje o povo corre atrás do pão
Mas ainda sente o peso da opressão
Preto na mira, pobre na esquina
A lei é dura quando é pra periferia

Educação negada, saúde escassa
Mas tamo vencendo com força e raça!
Levanta a cabeça, irmão, se olha no espelho
Cê carrega a força de um povo inteiro!

É luta! É grito! É chama no peito!
Somos o povo que não se cala no leito
É sangue, é suor, é raça, é fé
Se o passado foi dor, o presente é de pé!

Salve os guerreiros que abriram caminho
Heróis do gueto, nunca tão sozinhos
Zumbi dos Palmares, Dandara rainha
Luísa Mahin com a chama que inflama

André Rebouças, o engenheiro sonhador
Clóvis Moura com sua escrita de dor
Carolina Maria de Jesus na favela
Fez poesia da fome e da panela

Malcolm X com punho erguido
Mandela livre, sem jamais ter fugido
Martin Luther King, sonho na mente
E Mano Brown, o poeta consciente

Não esqueceremos, não recuaremos
Se for preciso, de novo lutaremos
Porque a história não é só de opressão
É de coragem, orgulho e superação