Leão Baio do Cajuru
de Walther Morais
Eu sai pela fronteira
Ver negócios de importância
E pra ver se me ajustava
De capataz numa estância
Cheguei lá e me ajustei
Onde havia uma potrada
Onde tinha um bagual baio
Respeitado da peonada
Baio da venta rasgada
Carunchado dos cornilho'
Foi o que mais me agradou
Pra sentar o meu lombilho
Pra encilhar o venta rasgada
Custou uma barbaridade
Baixou a cabeça na estância
Foi levantar na cidade
Da estância para a cidade
Regulava légua e meia
Onde o baio se acalmou
Foi na venda do Golveia
Eu apeei lá no Golveia
Pra tomar uns trago' de vinho
Depois belisquei o Baio
Desde a marca inté' o focinho
Este baio corcoveava
Mesmo que boi tafoneiro
Pois já estava acostumado
A corcovear o dia inteiro
Bombeei pro oitão do rancho
Vi uma prenda me espiando
E o Baio não via nada
E continuava corcoveando
Menina, minha menina
Me agarra senão eu caio
Eu já venho assufocado'
Do balanço deste Baio
Uma espora sem roseta
E, a outra, sem papagaio
Se as duas tivessem boa'
O que seria deste Baio?
Quase arrebentei um pulso
E as duas canas do braço
Deixei o Baio bordado
De tanto espora e mangaço
Um dia deixei a estância
E fui cumprir minha sina
Mas o Baio ficou manso
Inté' pro selim de china
Mas o Baio ficou manso
Inté' pro selim de china
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