LUDO

de Tripa Gninnin

A porteira rangeu naquela madrugada fria
O curral vazio, a Lua parecia me vigiar
O gado foi embora, a terra virou dívida
Mas meu nome ninguém conseguiu tomar
Vi amigo virar estranho quando o dinheiro faltou
Vi promessa cair no chão como cerca quebrada
Mas aprendi que o homem não vale pelo que tem
Vale pelo que sustenta quando a vida dá pancada
Andei na lama, dormi com medo no colchão
Comi poeira, calei a dor no peito
Perdi casa, perdi tempo, perdi ilusão
Mas nunca vendi meu respeito

Eu perdi tudo, menos o nome
Menos a palavra que eu dei
Podem tomar minha terra, meu ouro
Mas não levam o homem que eu sei que sou
Eu perdi tudo, menos o nome
E isso ninguém me tira não
Porque riqueza acaba, o mundo some
Mas honra é coisa que morre não

Na cidade disseram que eu estava acabada
Que homem quebrado vira sombra no chão
Mas quem vive da roça aprende cedo
Que cair não é o fim da missão
Cada calo na mão conta uma história
Cada cicatriz ensina a aguentar
Quem nunca perdeu não conhece a vitória
Nem sabe o peso de recomeçar
Eu vi o Sol nascer quando eu não tinha nada
E ali entendi o que importa de verdade
Quem sustenta o nome sustenta a estrada
Mesmo andando sozinho na dificuldade

Eu perdi tudo, menos o nome
Menos o fio do bigode que eu amarrei
Podem rir da minha roupa gasta
Mas não sabem o preço que eu paguei
Eu perdi tudo, menos o nome
Isso eu carrego até o fim
Porque homem sem nome é pó na estrada
E eu não fui feito para ser assim

Hoje eu sigo firme, passo lento
Com pouco no bolso e fé no chão
Não devo nada para quem me vendeu vento
Só respondo para minha consciência e para o meu coração
Se a vida vier de novo com faca na mão
Eu encaro de frente sem correr
Porque podem tirar tudo de um homem
Mas se tirar o nome, ele deixa de ser

Eu perdi tudo, menos o nome
Isso vale mais que qualquer cifrão
O mundo gira, a sorte some
Mas o respeito fica na mão
Eu perdi tudo, menos o nome
Vou levar isso até o caixão
Porque terra se perde, dinheiro some
Mas honra não entra em leilão

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