Redomona
de Luiz Carlos Borges
(Tio euclides trança o laço
Porque o meu já está no fim.)
Me adoça a língua no couro
E vá salivando por mim
(Tio euclides trança o laço
Que o meu laço já está no fim)
(Faça desse laço um sonho
Desse sonho não acorde.)
(Lonqueando as braças da noite
Para que o dia se forme.)
Cravador, tento e cambito
Pertences do lonqueador
Que conhece a cor do couro
O carnal e a sua flor
(Se mescla no fim do laço
Com as penas do trançador.)
(Tio euclides fronte moura
Curvado no tento baio.)
(Eu tranço e retranço versos
E de tuas tranças não saio.)
(Mas se a vida, tio Euclides
Te ensinou a trançar laços,)
(A espora no bagual leve
Me ensina a trançar espaços...)
Tio Euclides, ainda sou novo
Mas no laço te relembro
Nos pealos de cucharra
Nas marcações de setembro
(Talvez um dia eu te cante
Nas califórnias de dezembro.)
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