O Bugio
de Luiz Carlos Borges
O touro berrou nos cerros e descambou rumo a grota
Não houve grito de volta que levasse pro rodeio
Aos poucos os companheiros foram perdendo pro touro
Sobrou eu e os meus cachorros, e o meu lobuno estreleiro
Enquanto eu for peão campeiro, e andar montado a cavalo
Os homens mandam no gado e os touros levam costeio
Semo dois, feio por feio, macho por macho, empatemo
E eu tenho contra veneno, pra quem refuga rodeio
(Ah! Touro véio, eu vim, e um cupinudo assim
Não vai pro mato sem passar por mim
Eu não sou de me achicar, o que tem que ser será
Quando a trança do meu laço for pro espaço e terminar)
Se deus quiser trago o touro, se não quiser também trago
Que o laço é deus no meu pago, e os santos são os cachorros
Se eu fiz esse milongão, eu fiz porque me garanto
E nunca dependi de santo pra cuidar da obrigação
Eu quero é touro laçado no ladeirão desse cerro
Pois se tocar-me pro inferno, cheguemo tudo emendado
E se tocar-me pro céu, numa rodada de estouro
Vão junto as aspa do touro, na ponta do meu sovéu
Arrojo meu lobunão, corto o rastro e mando a corda
E a vida que encontre a forma de clarear esta cerração
Sair tranqueando o garrão, meu povo traz esse jeito
Se faz o que é pra ser feito, e depois se agüenta o tirão
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