La Bailanta
de Luiz Carlos Borges
Era cantiga de roda
A que dizia que o cravo
Tinha brigado com a Rosa
Rosa criança não brincou de roda
Era única no rancho
Além da mãe e do pai
Mas sabia a cantiga
Rodando bruxas de pano
Com olhinhos de retrós
Que fim levaram as bruxinhas
Que ela deixou no baú?
Certo as roeram os ratos
Quem sabe se como ela
Fugiram num pé de vento
Pra mão do bicho tutu?
Disso tudo lembra Rosa
Enquanto entrouxa seus panos
Suas cambrais e sedas
E as jóias de imitação
Quem foi seu cravo é espinho
Quem foi seu par é algoz
Que fio de faca na voz
Te manda rolar de casa
Não há mais nada entre nós
Três anos de amigação
Ele, a fome dos sentidos
Ela, sempre a mesa posta
A se ofertar como pão
Agora é casca roída
Para o festim das baratas
Baratas, baratas
O cravo brigou com a Rosa
Ao pé da letra a cantiga
Já não mais imaginária
Enquanto espera a carroça
Rosa canta solitária.
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