Innocent Son

de L-Universe

Um demônio no meu peito, um buraco no lugar do coração
Devendo pra Yakuza, vivendo na mais pura solidão
Comendo lixo, sonhando com um pão e um pouco de geleia
Pochita era tudo que eu tinha, minha única plateia
Até que o cheiro de sangue e morte me trouxe até você
Seu olhar me prometeu tudo que eu sempre quis ter
Um abraço quente, um teto, um trabalho, uma razão
Me deu um nome, me chamou, me tirou da escuridão
Me disse que como seu cão, eu teria um lugar
Bastaria latir sim e obedecer sem questionar
E eu aceitei, porque a fome dói mais que qualquer corrente
Um demônio renascido, seu caçador, seu dependente

E o seu controle tinha o gosto doce do primeiro amor
O sabor da geleia que aliviava a minha dor
Cada afago na cabeça, uma coleira a mais no meu pescoço
Eu era seu cachorro bom, pulando no seu poço
Você me dava ordens, e eu via um futuro ali
A promessa de um cinema, de um beijo que eu nunca senti
Seus olhos amarelos, um labirinto onde eu me perdia
Makima, seu mal necessário, ou a mentira que eu mais queria

Eu ganhei uma família, um barulho que eu não conhecia
O Aki de cara amarrada, a Power e sua anarquia
Uma normalidade estranha, que eu aprendi a chamar de lar
Por um momento, eu esqueci quem eu deveria agradar
Mas você estava sempre lá, um sussurro na minha mente
Controlando cada passo, cada sentimento da gente
O encontro no cinema, minhas lágrimas que você não entendeu
Era a primeira vez que um coração por outro se doeu
Eu senti por eles, Makima, eu aprendi a sentir
E isso te assustou, te fez meu mundo destruir
Porque um cachorro não pode ter mais de um dono, não é?
Um cão de caça fiel não pode ter sua própria fé

E o seu controle tinha o gosto doce do primeiro amor
O sabor da geleia que aliviava a minha dor
Cada afago na cabeça, uma coleira a mais no meu pescoço
Eu era seu cachorro bom, pulando no seu poço
Você me dava ordens, e eu via um futuro ali
A promessa de um cinema, de um beijo que eu nunca senti
Seus olhos amarelos, um labirinto onde eu me perdia
Makima, seu mal necessário, ou a mentira que eu mais queria

Então o som veio, seco e final, um Bang na porta da frente
E o castelo de cartas que eu montei se desfez na minha mente
Você tirou o Aki de mim, fez meu braço a Power matar
Me mostrou que cada migalha de afeto era só pra me quebrar
Você não queria o Denji, você queria o herói do inferno
A motosserra lendária, o seu anseio mais interno
Não era amor, não era cuidado, era só um plano frio
Pra quebrar o contrato, me deixar nesse imenso vazio
Disse que a culpa era minha, por abrir a porta que eu não devia
Mas a única porta que abri foi a que pra você me rendia

E seu controle agora tem o gosto amargo do que eu me tornei
O sabor de cada pecado seu que eu assimilei
Um último abraço, o calor que eu precisei roubar
A única forma de te ter, era te devorar
Eu comi seus sonhos, suas ambições, sua dominação
Para ser um com você, essa é minha maldição
Seus olhos não me veem mais, mas estão dentro de mim
Eu sou o Chainsaw Man, o seu começo e o seu fim

Não há mais coleira, não há mais afago
Só o barulho da motosserra, e o gosto do seu estrago
Eu assumi seus pecados, para te dar um final
Afinal, era o único jeito de te amar, de um jeito brutal
Pedaço por pedaço, até não sobrar nada, nada

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