Casa de Francisca
de Guinga
Casa de Villa
(Guinga e Mauro Aguiar)
Um quintal
Um ponto de fuga, um final
De conto de fada, um serão
De arraia-miúda, um beiral
Miolo de pão
No vitral
Luz de assombração!
Um sarau no salão
Um rosal e um irmão são
O ardil
De um cisco no olho, um varal
E um cesto de sonhos ao léu
Um céu na gaveta: O postal
Com ar de museu
Um degrau
E o salto no breu!
Um feixe de sono por dentro do som
Um clarão!
E o mel do trovão, desigual
Tudo meu, pra lá do portão, se perdeu
Não faz mal no rol dos descuidos de Deus
Afinal
Está a conceder a um mortal a ilusão
De ver um chão de quintal
Um quintal
Um ponto de bala, um frontão
Da Casa de Villa, o portal
Um sinal de vida, um pregão
O habitual
Coração
E um ponto final
No gradil, um desvão
Um abril e um gentil cão
O anel
Da alma penada, a visão
O nó na garganta e o mornal
Da água-furtada, o ladrão
De mãos de algodão
Do local
E a palpitação!
Um gesto de susto, estátua de sal
Solidão
Num calmo verão cordial
Tudo meu
Pra cá do portão se guardou
Menos mal
No rol dos desmandos de Deus
Afinal
Está a conceder a um igual a ilusão
De ser um grão no quintal
Num pôr do sol crucial
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