Groove
de Fatal Move
As luzes da quebrada brilham mais que as estrelas hoje
O silêncio no meu quarto grita alto, tipo um alarme de fuga
A mesa ainda tá posta, mas meu apetite mudou
A Bíblia tá lá, mas fechada, pegando pó com a saudade
Tô na casa do Pai, mas minha alma tá inquieta
Paz na fachada, guerra dentro, mó treta
Cobertura divina, mas eu olho pro teto
Procurando resposta onde já sei que não tem eco
Ouvindo vozes que me chamam lá da rua
Promessa de liberdade, mas é só algema crua
No corredor do quarto, piso em lembranças frias
Tipo filho, ora comigo, mas esqueci das orações vazias
Minha mente é labirinto sem mapa de volta
Coração blindado, mas a dúvida revolta
Na mesa tem pão, mas tô desejando migalha
O ouro da quebrada reluz mais que a medalha
Me perco no scroll do feed, alma viciada
Curtida é placebo, fé enfraquecida
Me chamam de abençoado, mas nem sei se sou
A casa ainda é firme, mas o chão já tremelou
A casa é forte, mas eu quero rua
O Pai me ama, mas o mundo atua
Silêncio do quarto me deixa insano
A Bíblia fechada pesa mais que o pano
A mesa posta, mas eu não sento mais
Tem festa rolando lá fora, mó gás
Protegido demais, cê acredita?
Mas minha alma grita por uma nova vida
Meus tênis tão limpos, mas quero pisar no barro
Minhas roupas de filho, mas meu olhar é de escarro
Papo reto, tô tipo bomba-relógio
Com vontade de explodir o relógio da lógica
Meus manos tão na pista, vivendo no risco
Eu tô aqui com teto e não dou valor a isso
Sinto falta do perigo que nunca vivi
Coração burro, querendo o que pode destruir
Oração esquecida, meu joelho enferrujou
A voz de Deus ainda fala, mas meu fone abafou
O jardim é regado, mas olho pro deserto
Quero calor do inferno só pra ver se é mais esperto
No espelho vejo um santo virando refém
Tentação me manda emoji tipo vem
E eu vou rindo, debochado, alma em frangalho
Num palácio divino, sonhando com atalho
A casa é firme, mas o mundo me chama
O Pai acende luz, mas a rua inflama
Silêncio no quarto, eco do vazio
A Bíblia fechada virou desafio
A mesa tá pronta, mas olho pro portão
Tentando entender essa confusão
Protegido demais, cê acredita?
Mas minha alma implora por uma outra brisa
A porta não tranca, a chave tá na minha mão
E o inimigo sabe disso, ronda com pressão
Vai lá, só uma noite, ele sussurra esperto
E eu aqui lutando contra o que tá tão perto
O teto do Pai tem goteira de amor
Mas eu tô querendo sentir outro sabor
Tô na casa certa, mas errado por dentro
Com vontade de sair só pra sentir vento
O piso é de ouro, mas prefiro o concreto
Das ruas onde o erro parece mais direto
Me dizem: Fica, tem herança, tem céu
Mas eu quero bagunça, não quero esse papel
Meu quarto virou cela, proteção virou prisão
A oração engasga, fé perde direção
Mas mesmo nesse caos, Ele ainda me olha
Só que eu já tô com a mochila pronta na sacola
E se eu sair, será que volto inteiro?
Será que o mundo vai me dar o que é verdadeiro?
Tô cansado de ser o filho que finge estar bem
Com um banquete na frente, mas fome de ninguém
Talvez eu precise cair pra entender
Que o teto d'Ele é o único que me faz viver
Mas agora, eu só quero sumir
Ver se o mundo tem o que promete, ou vai mentir
A casa me guarda, mas o mundo me chama
O Pai me ama, mas o desejo inflama
Silêncio no quarto virou tempestade
A Bíblia fechada virou minha verdade
A mesa ainda tem pão, mas perdi o paladar
A rua grita alto, difícil ignorar
Protegido demais, cê acredita?
Mas eu tô partindo, buscando outra saída
O portão range, a Lua observa
O filho pródigo ainda nem saiu, mas já reserva
O primeiro passo, sem saber o final
Da casa do Pai, pro abismo emocional
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