Manu Militari

de Classe Moyenne

Acordava cedo com o canto do galo
Sol espreguiçando por trás do curral
Café coado em pano, prosa sem pressa
A vida era dura, mas era leal

O rádio chiava moda antiga
Falava de amor e de chão rachado
Meu pai dizia: Filho, respeita a terra
Que ela devolve tudo o que é plantado

Hoje eu carrego no peito a saudade
Da vida simples que ficou pra trás
Do cheiro da terra depois da chuva
Do tempo lento que não volta mais
Troquei o silêncio pelo barulho
Da cidade grande que não dorme não
Mas meu coração ainda mora
Na poeira vermelha do meu sertão

Lá não tinha luxo, nem pressa no dia
Só o Sol marcando a hora de parar
A Lua clareando estrada de chão
E a viola chorando pra acompanhar

Era pouco, mas era o bastante
Um abraço sincero no fim do jantar
Hoje eu tenho o mundo nas mãos
Mas falta aquilo que o dinheiro não dá

Hoje eu carrego no peito a saudade
Da vida simples que ficou pra trás
Do cheiro da terra depois da chuva
Do tempo lento que não volta mais
Troquei o silêncio pelo barulho
Da cidade grande que não dorme não
Mas meu coração ainda mora
Na poeira vermelha do meu sertão

Se um dia eu voltar, que seja sem pressa
Que a porteira esteja aberta pra mim
Vou deixar a alma descansar no campo
Onde tudo teve começo e fim

Porque a raiz que prende a gente ao chão
Nunca se perde, só aprende a esperar
E a saudade da vida simples
É um jeito do passado me chamar

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