Forks

de Antonio Spaziani

Eu andei por vales escuros demais
Onde nem se ouvia o eco da minha voz
Passei por caminhos que feriam meus pés
E a noite parecia não ter fim
O vento cortava minha esperança
O silêncio gritava dentro de mim
Bebi de fontes que prometiam vida
Mas eram águas amargas no fim

Entre espinhos deixei minha lã
Entre pedras rasguei minha fé
Corri atrás de sombras vazias
E me perdi do que eu era um dia
O deserto queimou meus sonhos
O frio roubou minha direção
E quanto mais eu tentava voltar
Mais distante ficava o meu lar

Foi então que eu entendi
Eu estava realmente só
Sozinho porque escolhi
Me perdi do Bom Pastor

Eu sou a ovelha que se perdeu
Que deixou o caminho e se esqueceu
Do som suave da Tua voz
Eu me afastei do Teu amor
Eu sou a que saiu do rebanho
Que trocou cuidado por engano
Mas mesmo assim Tu não desistiu de mim

Eu pensei que ninguém viria
Que eu seria só mais um a faltar
Noventa e nove pareciam suficientes
Quem sentiria minha falta no lar?
Mas no meio da noite escura
Eu ouvi seus passos chegando
Não era o medo me seguindo
Era o Pastor me procurando

Ele veio até onde eu estava
Não gritou, não me acusou
Me chamou pelo nome
Seu olhar me encontrou
Ele tocou minhas feridas
Limpou o que eu escondia
Me tomou em Seus braços
E disse: Ovelha você é Minha

Eu era a ovelha perdida
Ferida, cansada e só
Mas o Bom Pastor me encontrou
Quando eu já não tinha voz
Ele deixou as noventa e nove
Só pra me resgatar
E nos ombros do Seu amor
Me ajudou a voltar

Hoje eu sei
Não importa o quão longe eu vá
O amor do Pastor é maior
Se uma se perde, Ele vai buscar
E quando Ele encontra
Ele não acusa
Ele restaura
Porque Ele é o Bom Pastor

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